O medo fica fora da imagem

podemos estar em sincronia,
trocar carinho, transar por letras,
saber como anda o pulso uma da outra.

podemos até nos ver
mesmo que embaçadas, pixeladas,
marcados em fotos de amigos
em selfies, peladas, por nudes

podemos
conversar sobre o mundo, tudo

podemos até sentir taquicardia,
podemos, inclusive, sentir saudade.

posso saber sua altura, seu peso,
mas não posso te abraçar.

é que na vida real, o medo é posterior ao encontro. 
no virtual, o medo é a matéria. 

2015