Poema Branco

Começa com o nada,

e pula para um rabisco preto,

que emite um desejo num papel qualquer.

Limita-se a possibilidade de existir outro desejo-sonho porque este já foi idealizado ou iniciado por esse

outro desejo 

que 

fora rabiscado.

Há um rumo agora a ser seguido 

e que não pode ser apagado, pois a tinta preta não permite ser aniquilada. 

Mas

 e se não o quiserem mais? E se quiserem outra coisa que não tem nada a ver com a coisa anterior?

e se quiserem outro desejo-sonho? - Joga-se fora este último pedaço de vida construído? Não.

Dilui-se tudo aquilo relativo à ordem do querer escrevendo e transformando aquele papel branco numa

cartolina preta,  

fazendo-o novo.

Daí, portanto, tem-se um novo começo que, aparentemente começou com o nada, mas, na verdade, foi a

fusão de vários desejos e coisas e sonhos

que iniciam um novo rumo, a partir do rumo antigo. 

Nasce um 

um desejo novo, mais maduro e experiente.